Enciclopédias
da Cidade
Volume
IV - Federação
Fotos por Gina Leite
A Federação e o Engenho Velho da Federação
nascem como região marginal, afastada do
centro administrativo da antiga cidade do Salvador,
pouco valorizada por causa de seus morros entremeados
de vales e entradas de difícil acesso. Um
bairro alto, no qual ladeiras dão acesso
a diversos outros bairros da cidade, e que não
têm áreas públicas de convívio
como praças.
A fé é traço marcante, sua
origem guarda nascente nos terreiros e na igreja
de São Lázaro, enquanto novos caminhos
espirituais são trilhados com a chegada de
novos centros religiosos.
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Como
atrativos do bairro:
Igreja
de São Lázaro
Terreiro
do Bogum: Zoogoodô Bogum Malê Rundô
Iroko
Igreja
de São Lázaro
A Igreja de São Lázaro é uma
pequena capela de tipo rural, simples, com um frontão
clássico na fachada. Provavelmente erguida
na primeira metade do séc. XVIII. Presume-se
que já estivesse lá quando foi ordenada
a fundação do Lazareto que serviria
de leprosário em 1758 a 1762.
Consta do dia 12 de outubro de 1734, o registro
de escritura da igreja, propriedade de Jorge Fernandes
da Rocha e sua mulher Francisca Xavier, que a construíram
por invocação a São Lázaro.
Em 1755, como resultado da caridade dos dois devotos,
a capela, foi reconhecida pela Ordem Régia.
Em 1973 foi realizada uma restauração
pela prefeitura, com donativos do povo, e foram
substituídos o telhado, esquadrias, pisos
e a pintura geral.
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Terreiro
do Bogum: Zoogoodô Bogum Malê Rundô
Localizado na Ladeira Bogum, antiga Manoel Bonfim,
o Terreiro do Bogum, Zoogodô Bogum Male
Rundó, diferente dos outros terreiros de
Salvador, é de nação Jeje,
com tradição ligada ao Benin. Os
Jeje entraram no Brasil por volta do século
XVII e início do século XVIII, sua
marca cultural tem registro na Bahia e em Mina.
A língua falada em seus rituais é
o ewé, do povo fon, e as entidades cultuadas
são os voduns do Daomé.
A sucessão no Terreiro do Bogum se dá
pela linnhagem e através dos búzios.
Mãe Índia, chefe do terreiro do
Bogum, é sobrinha-neta de Valentina, Mãe
Runhó. Uma das tradições
do Terreiro é a missa em homenagem a São
Bartolomeu, realizada anualmente há duzentos
anos. Conta-se que neste terreiro refugiavam-se
escravos e negros malés.
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![[: Deslimites :]](images/federacao_iroko.jpg) Iroko
Em frente a muitas casas grandes de candomblé
geralmente existe uma grande árvore com
raízes que aparecem na superfície
da terra. Esta árvore, muitas vezes está
envolta um alá, um pano branco, e é
conhecida como gameleira branca, representando
o orixá Iroko, divindade do Tempo.
Nesta árvore considerada primordial são
realizadas oferendas e rituais à entidade
que ela representa. O mito conta que Ikoro foi
a primeira árvore nascida; representa também
ancestralidade, a vida reprodutiva, o ciclo vital,
a impermanência e impermanência na
permanência.
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