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Imprensa :

“Não é fácil convencer a molecada de que um sanduíche de queijo no pão integral é melhor que cheeseburger duplo derramando queijo cheddar por todos os lados. Mas paternidade e facilidade nunca andaram juntas. O negócio é descobrir que tipo de argumento cala mais fundo na alma do monstrinho.

A vaidade, por exemplo, pode ser um grande trunfo para os pais. Embora leve algum tempo para ser admitida, foi ela que fez como que Nicolás Ribeiro Rabino, 13 anos, deixasse de lado os cachorros-quentes com refrigerantes que atacava todo dia na hora do recreio.

Uma cantina onde não se encontra refrigerante, os doces e salgados são feitos de massa integral, carne vermelha não entra e suco, só natural. O que parece uma utopia distante para alguns, virou realidade há 18 anos na Escola Via Magia. Ali, a alimentação faz parte parte da proposta educacional e os pais são avisados, já desde a matrícula, para não incluir comidas industrializadas nas merendeiras dos filhos.

E que ninguém pense que o corpo discente da casa é composto apenas dos filhos de ‘naturebas’ empedernidos. Muitas famílias têm dietas nada naturais e, vez por outra, a coordenadora Karina Araújo se depara com um pacote de bolacha de chocolate. ‘Neste caso, a criança tem permissão de comer, para não ficar com fome, mas os pais são avisados, para que não se repita’, diz Karine.

Verdade que toda a pedagogia da Via Magia, que atende crianças até a 4ª série do ensino fundamental, segue uma linha alternativa. Mas já se pode identificar algumas iniciativas em escolas mais tradicionais.”

A Tarde – 15/06/2003

“No Dia das Crianças, foram elas que deram o tom da edição dominical de A Tarde. Nas últimas três semanas, meninos e meninas com idade entre 7 e 12 anos, tomaram conta da redação. Sugeriram pautas em todas as editorias do jornal e escreveram as matérias.
Apoiaram e iniciativa, os colégios Miró, Lua Nova, Via Magia, Mendel, Salesiano, Módulo, Classe, Santo Antônio (Itabuna) e os estaduais José Tourinho Dantas e Tobias Neto.
‘Se eu fosse a presidente do Brasil, eu daria o direito da criança. O direito de comer, estudar, brincar, etc. Eu daria à criança o direito de ser Criança!’”
- Jana B. Serrat, 9 anos - Casa Via Magia

“…Outras crianças têm outro jeito de ser criança. Elas saem para trabalhar, só voltam de madrugada e quando voltam sem dinheiro, a mãe ou o pai dicam muitos chateados com elas. São crianças de rua, muito pobres, que não estudam e têm muito pouco para sobreviver. Algumas têm casa, só que são bem pobres; outras nem casa têm e vivem em calçadas, debaixo de viadutos, pedindo esmola.” - Maria Antonieta, 9 anos - Casa Via Magia
A Tarde 12/10/2003

“Férias, ufa que alívio! A garotada se solta no tempo e no espaço para brincar, passear e fazer coisas que não foram permitidas durante o ano. Por que essa desprazer tão grande com o processo de apreensão do conhecimento? Psicólogos, psicoterapeutas, educadores e pais estão indo buscar as respostas as respostas através de questionamentos aos modelos de Educação adotados pelas escolas. De uma coisa eles já têm certeza: há algo de muito errado na metodologia do ensinar/aprender. É preciso adotar outras técnicas de ensino.
Foi pensado sobre este velho e complicado problema que Ruy Cezar juntou-se à atriz e pedagoga paulista Rô Reyes, morando em Salvador há mais de 20 anos, e a outras pessoas que também gostam de estudar, para adotar um método revolucionário, quase mágico, de fazer com que o aluno tenha prazer em aprender, através da arte. Sob a inspiração de vários mestres e pensadores, foi criada, em 1984, no bairro da Federação, a Casa Via Magia.
Nos últimos 10 dias de janeiro, ele e a diretora Rô Reyes estiveram em Nova Iorque, envolvidos em diversas reuniões com fundações, organizações e instituições educacionais para continuar um trabalho que, recentemente, foi agraciado pela Unesco com um importante prêmio reconhecendo a Casa Via Magia compo Projeto Piloto do Plan de Educación para el Desarrolo y la Integración de America Latina.”

A Tarde – 12/02/2000

“Normalmente, é nas escolas onde surgem as paqueras e os primeiros laços afetivos. Na Casa Via Magia, pioneira no ensino alternativo e que busca unir arte e educação, os namoros foram assumidos no cotidiano como uma coisa séria, como parte do processo educacional. ‘Um dia, visitei uma sala da alfabetização e um menino veio me mostrar com os olhos brilhando as primeiras palavras que ele tinha aprendido a escrever’, conta Rô Reyes, diretora pedagógica da escola. ‘Num papel, estavam o nome dele e o da namorada.’ Para a pedagoga, que há 28 anos trabalha com educação infantil, esta é uma prova de como a afetividade marca o desenvolvimento dos alunos.

Segundo a diretora, ainda existe uma grande rejeição à espontaneidade e à inclusão do afeto nas instituições de ensino. ‘Não é à toa que as crianças estão se matando. E essa é uma grande pergunta: Por que esses assassinatos estão acontecendo justamente nas escolas?’, questiona. Para ela, a escola deve ser pensada não apenas como disseminadora de informação, mas de formação. Não só de pensamento, mas de afetividade. A escola deve tratar do social, do convívio entre as crianças e não deixar que esta questão seja resolvida apenas no âmbito dos consultórios. ‘Não pretendemos aqui resolver os problemas familiares dos nossos alunos, mas trabalhar para a sua formação integral, que inclui o afeto, a informação e o convívio’, finaliza.”

Correio da Bahia, Abril de 2000

“O processo criativo das manifestações artísticas – teatro, música, canto, dança, artes plásticas – já está sendo utilizado como área de conhecimento educacional em muitas unidades da pré-escola, como a Casa Via Magia, que é referência do projeto piloto Parâmetros com Arte, desenvolvido pelo Ministério da Educação (MEC) no Brasil. Nesta entrevista concedida ao Correio da Bahia, a pedagoga Rô Reyes, que está à frente – junto com Ruy Cezar – há 15 anos do projeto educacional da Casa Via Magia, destaca a importância das linguagens artísticas como suporte da educação na pré-escola. “Todas as crianças precisam dramatizar, precisam cantar e pintar e não só escrever”, acredita Rô Reyes, que é uma das consultoras do Plan de Educacción para el Desarollo y la Integración de America Latina. Na empreitada educacional, a pedagoga, que possui especialização em Teatro na Educação pelo Goddard College de Cambridge (EUA), trabalha para que a “arte” possa incentivar o processo de aquisição do conhecimento pelos nossos jovens, futuros profissionais do Brasil.”
Correio da Bahia, dezembro de 1999

“Divulgar entre as crianças a cultura das tribos indígenas que vivem no Nordeste. Para o índio Wakay, da tribo kiriri xocó, esta foi a maior conquista do debate, ocorrido ontem, com alunos da Casa Via Magia, que mantêm os cursos da pré-escola à 4ª série. Wakay e mais dois amigos, Kawai e Kay, foram convidados para o encontro, organizado pela escola como extensão das homenagens ao Dia do Índio, comemorado no último dia 19. Vestidos tipicamente, os índios responderam perguntas sobre seus costumes e as dificuldades que enfrentam, além de mostrar algumas de suas danças e músicas.”
A Tarde, abril de 1998

“O clima é de uma feira de verdade. Agitadas, as crianças fazem propagandas do produto: os livros de ficção que escrevem na Escola Via Magia e vendem para pais, mães, avós e tios ao preço de R$ 1,00 a unidade. Terror, drama, poesia, aventura ou ação, os estilos variam nas obras que fazem parte da feira de livros promovida pela escola, com o objetivo de estimular a criação individual dos alunos, da prontidão à 4ª série, e estimular a comunicação e o relacionamento que são o sentido básico da escrita.”
Correio da Bahia, abril 1997


“A produção literária da Casa Via Magia, na Federação, vai extrapolar os limites baianos para servir de “modelo” para outras escolas que têm como base o princípio arte-educação, através do qual o aluno e o professor são parceiros no ‘aprender a aprender’. Na Casa Via Magia, os alunos elaboram, com o professor e os orientadores, os seus próprios livros didáticos.

A produção das crianças começa na pré-escola, quando a “caixinha de palavras” que cada criança coleciona – a escolha é individual – vira uma cartilha didática. ‘As crianças pedem para que os adultos escrevam palavras que elas querem ‘ter’. Após um trabalho de identificação e reconhecimento das palavras, é elaborada a primeira cartilha, ilustrada e escrita por elas, da forma delas, no tempo de cada uma’, explica a coordenadora pedagógia e fundadora da escola, Rô Reyes.

Os alunos também participam da seleção dos assuntos na hora da produção dos livros. O professor dá a opção de todos os módulos que serão estudados na unidade e as crianças escolhem sobre que assunto querem escrever.

“Não adotamos livros didáticos para os alunos comprarem. Eles têm à disposição todo o material da biblioteca e ainda dos intrumentos que auxiliam o conteúdo”, explica Rô.

Anualmente, as crianças – a partir da 1ª série – produzem um livro especialmente para a Feira de Livros, que acontece no mês de abril, durante a Semana do Livro: “Elas têm a liberdade para escolher o estilo e são orientadas pelos professores”, Rô Reyes. Os livros são reproduzidos, as cópias expostas em bancas de cada uma das séries. A feira é aberta à comunidade e visitada por pais e outras crianças. A produção média da feira é de 100 livros por ano. “Por sugestão das próprias crianças, os livrinhos passaram a ser vendidos na feira a R$ 1, R$ 1,5 e R$ 2”, acrescenta Rô.”

Correio da Bahia, junho de 1997

“Com um projeto que respeitasse o processo de desenvolvimento das crianças e que ajudasse de uma maneira natural a desenvolver a sua educação, foi fundada em 1984, a Escola Via Magia, em Salvador. Aqui, as crianças chegam com dois anos e trabalham com educação artística, dança, música, educação ambiental, capoeira, esportes, teatro e muita poesia. Nesta escola, a arte é o melhor instrumento de educação para a infância. Todo o trabalho de organização psicomotora é feito através da arte.

Os alunos desenvolvem uma autonomia muito grande no processo de desenvolver o saber. São crianças com uma visão mais profunda e geral do mundo, porque as matérias são interdisciplinares, o que possibilita melhor compreensão do todo. Para trabalhar no desenvolvimento do processo individual de cada criança são formados grupos de 20 alunos, em média.

Na Via Magia as aulas não são padronizadas. Leitura, Escrita, Matemática, Inglês, Informática, Estudos Sociais e Ciências são disciplinas que as crianças aprendem com jogos diversificados, dramatizações, histórias em quadrinhos e muita música. Para trabalhar com esta sistemática é necessário um professor muito especializado, que tenha uma visão global do mundo, seja bem informado, goste de ler e escrever e tenha muito amor ao seu trabalho.

Todo o material didático é desenvolvido na própria escola. As pesadas mochilas, cheias de livros, não fazem parte do dia-a-dia destas crianças, o que torna a vinda para a escola mais agradável. A Via Magia é a primeira escola do país onde as crianças fazem seus próprios livros. O livro é feito a partir de temas que são escolhidos com as crianças. Dentro de cada assunto são oferecidas diversas vivências. Se o assunto for História, as crianças vêem vídeos, visitam locais históricos e todos os dias registram suas experiências em textos, abordando os estudos que foram feitos.

A interdisciplinaridade está presente em todos os momentos, como, por exemplo, no plantio de cenouras, quando eles estudam a profundidade das covas, o número de sementes, espaçamento, onde se inserem conceitos de adição e multiplicação.
Nesta escola, subir nas árvores, brincar com argila e cuidar dos animais é recuperar o contato com a terra e com os ciclos da vida.”

Texto de programa exibido em Rede-Nacional na TV-Educativa 1996

“O aspecto ambiental da Via Magia é uma presença desde que foi criada. Lá tem horta, quintal e um pequeno pomar. Também na escola se cria galinha, pato e cachorro. Na cantina da escola, nada de oferecer produtos industrializados. Alimentos naturais, guloseimas à base de cereais integrais, frutas e legumes são a merenda da garotada. Na Via Magia desenvolvem-se ainda campanhas educacionais com o objetivo de despertar na criança o interesse em cuidar do meio ambiente. Daí, em cada sala de aula, duas cestas plásticas servem de depósito de lixo orgânico (cascas de frutas) e do lixo inorgânico (papéis e latas). O lixo inorgânico é aproveitado na adubagem da horta.”
Correio da Bahia, dezembro de 1991

“Exercitar o lado lúdico das crianças – que, geralmente, têm esse processo de interação com a arte e a criatividade interrompida quando passam da pré-escola para o primeiro grau, nos métodos tradicionais de Educação – e a busca intensa de linguagens com as quais o ser humano possa melhor se relacionar com os outros e o meio em que vive, serviram de diretrizes para que a Casa Via Magia abrisse uma nova porta, através de uma série de atividades de arte e corpo, para o desenvolvimento das possibilidades criativas de crianças e adultos.”
A Tarde, julho 1987

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