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Campo Santo

A tradição de enterrar os mortos em cemitérios é um costume recente na Bahia. Até meados do século XIX, os enterros eram realizados dentro das igrejas, ou em terrenos ao fundo, e ficavam, então, sob a custódia das irmandades, as quais lucravam com os enterros e com as grandes heranças deixadas pelos mortos.

A tendência médica da época apontava os enterros, tais como eram feitos, a principal forma de se transmitir doenças pelo ar. Pesquisas médicas indicavam que o melhor seria fazer os enterros a muitos palmos abaixo da terra, em lugares altos afastados da cidade. Desta forma foi iniciada a construção do Campo Santo em área adequada, por particularidades.

Além de ferir os costumes da época, o Campo Santo mexeu na renda das irmandades, ocorrendo, no dia 25 de outubro de 1836, uma revolta, fazendo com que o cemitério do Campo Santo, que seria inaugurado, tivesse muitos muros e sepulturas destruídos. A revolta foi liderada por membros das irmandades, que, ao final de tanta confusão, conseguiram que a concessão do Campo Santo ficasse com uma delas, a Santa Casa da Misericórdia, a mais poderosa da época. O cemitério, então, só seria inaugurado em 1844. O livro “A morte é uma festa”, de João Reis, é uma grande referência para estudar o assunto.

REIS, João José. A morte é uma festa: ritos fúnebres e revolta popular no Brasil do século XIX/ João José Reis. – São Paulo: Cia das Letras, 1991.

Campo Santo
Largo do Campo Santo

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