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Memória

A História e as Histórias

Os caminhos do tempo guardam uma coleção de histórias pessoais na qual está inscrita a história do bairro. Em cada lugar está guardada a história daqueles que o construíram. A Federação nasce, portanto, como região marginal, afastada do centro administrativo da antiga cidade do Salvador, pouco valorizada por causa de seus morros entremeados de vales e entradas de difícil acesso. Cid Teixeira, entrevistado por Ubiratan de Castro no livro “Salvador Era Assim” conta que a expansão se deu da espinha dorsal em direção a outros logradouros populares.

A memória do tempo em que o transporte era difícil. O som do bonde de número Sete que chegava até onde está hoje a Escola de Arquitetura da Universidade Federal da Bahia e do bonde de número Vinte e Sete, que ia até o Campo Santo, aparecem na falas dos antigos moradores como Ubaldo. Às vezes ele ultrapassa a memória e parece que escutamos os trilhos em rastros que emergem debaixo do asfalto.

Os trabalhos femininos que não exigiam que a mulher se afastasse de casa para auxiliar na renda familiar também eram muito presentes. Muitas mulheres trabalhavam lavando roupa nas fontes, fazendo costura, bordado e flores artificiais, cuscuz, bolo, mingau, acarajé com feijão ralado na pedra, cocadas e doces feitos no tacho, no fogão a lenha, mexidas com colher de pau, e cavaco, um pastel sem recheio coberto de açúcar e canela. Mulheres como Esmeralda, Maria José e Nina mantêm a tradição do trabalho feminino artesanal.

A chegada dos filhos, muitas vezes apanhados de parteiras, era celebrada pelos vizinhos. Um vizinho apadrinhava o filho do outro, como o caso de Oswaldo Gama. As brincadeiras e as cantigas de roda são lembradas com saudades.

Além das festas de terreiros de candomblé e das festas e procissões religiosas, como lembra seu Vermelho, ouve-se falar também de Ternos de Reis Romeiro do Oriente de Zeca das Gueixas. Dona Lindaura fala das casas de taipa de sopapo e conta que no natal fazia-se um caramanchão onde todos se encontravam para festejar; tinha feijoada, sarapatel, caruru, feijão fradinho, pipoca...

Parecia mesmo o interior. Nas quitandas comprava-se fiado. Seu Augusto trabalhava na Feira de Água de Meninos, onde Militão e Seu Dudu faziam feira. Depois começou o tempo das casas de bloco, construídas pelos próprios moradores, afastadas umas das outras, salteadas, casas com quintal de árvores de fruta, como na casa de Rosa Maria.

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