[24|05|04] Fórum Brasileiro de Cultura reúne as propostas do país e aponta para novas perspectivas
A cerimônia de abertura, apresentada pela atriz Camila Pitanga, teve início com o ator Rogério Fróes recitando o poema "E Agora, José?" - mote inspirador do Fórum Cultural Mundial - para em seguida a mesa dar início aos trabalhos. Formada por Danilo Santos de Miranda(Presidente do Conselho Diretor do Fórum Cultural Mundial e diretor do Departamento Regional do SESC-SP), Roberto Malta (Presidente da Rede Brasil de Promotores Culturais Independentes e integrante do Conselho Diretor do FCM), Paulo Miguez (Secretário de Formulação e Avaliação das Políticas Culturais do Ministério da Cultura e também integrante do Conselho Diretor do FCM), Dionino Coloneri (Diretor Regional do Sesc/RJ) e Arnaldo Niskier (Secretário de Estado de Cultura do Rio de Janeiro), a mesa apresentou o Fórum Brasileiro e o Fórum Cultural Mundial para um público composto de produtores, artistas, jornalistas, autoridades, representantes de diversas instituições, entre outros.
Entre eles estavam Sérgio Mamberti, Secretário da Identidade e Diversidade Cultural do MINC; Octávio Arbelaez, Presidente da La Red Latinoamericana; João Roberto Peixe, Secretário de Cultura de Recife; Vânia Bonelli, Subsecretária de Estado de Cultura do Rio de Janeiro e Edmur Mesquita, Secretário Adjunto de Cultura do Estado de São Paulo, representando a Secretária Cláudia Costin.
Danilo Santos de Miranda abriu a mesa falando sobre a importância do Fórum Brasileiro em juntar propostas do Brasil inteiro. Propostas voltadas para uma ação cultural no país, especialmente a ação pública, que se preocupa com a educação, com a identidade, com os valores e não voltada para o showbusiness. "No fundo das diversas questões, sejam econômicas, sociais, ou políticas, o papel cultural é fundamental porque trabalha o imaginário, a diversidade e faz com que cada um se enxergue e também enxergue o outro melhor", afirmou Miranda.
A proposta apresentada pelo presidente do Conselho Diretor do FCM é fazer das políticas culturais elemento chave para o desenvolvimento. "Porque não adianta despejar recursos sem pensar a questão educacional/cultural", diz. Ressaltou o respeito às diversidades como característica do nosso país, inclusive lembrando que qualquer governo no país atualmente reforça esse pensamento. Deixou, no entanto, uma crítica: "O discurso em prol da cultura está em todos governos, mas falta colocar isso na prática". Segundo ele, o cenário nacional vive um momento propício para a realização de um evento como o FCM, com o próprio Ministério da Cultura revendo leis, repensando formas e modos de agir.
No segundo dia do evento, Iara Pietricovsky deu início às discussões destacando o Fórum Brasileiro de Cultura como um contra-ponto importante no processo do Fórum Cultural Mundial e na proposta de acreditar que Um Outro Mundo é Possível, aproveitando o tema do Fórum Social Mundial, do qual participa na organização.
Antes de passar a palavra a Valdina Pinto, Makota do Terreiro Tanuri Junssara do Engenho Velho da Federação, em Salvador, Iara fez um convite: para que todos pensassem na re-politização da cultura como transgressão, indo além dos sentidos partidários e reconstruindo valores da sociedade. "Precisamos refletir sobre nossa realidade a partir desses desafios. Não se pode não pensar politicamente a realidade", afirmou ela.
Valdina Pinto deu início à sua fala invocando os bakulo. Bakulo é um termo de uma das línguas africanas (banto) e que fala do legado que os antepassados deixaram para nós. Antepassados esses que não se referem só aos negros, mas a todos os seres humanos que já passaram no mundo. Mas invocando principalmente os bakulo dessa cidade, seus primeiros habitantes. "Conforme o meu saber, o meu fazer, o meu sentir, o meu crer, nós não estamos sozinhos. E ninguém está aqui por acaso".
Cansada de ficar atrás da mesa, Valdina levantou-se e foi sentar no chão do palco. "Eu sou da cultura de chegar, sentar no chão, olhar no olho, conversar, sem coisas atrapalhando as energias", justificou ela.
De toda a fala, certamente, cada um saiu de lá com perguntas como: de onde sou? Qual o meu passado? Para onde vou? Quem sou eu? Quem é o outro? Coisas simples, óbvias, mas porque ditas justamente de forma tão direta e singela, emocionaram a platéia, que, em diversos momentos, interrompeu a makota com aplausos entusiasmados.
Segunda ela, o brasileiro não se conhece e muitas vezes não quer se conhecer. "Temos construído jeitos, mas deixamos gente de fora. Muitos fazeres, saberes, dizeres, sentires, seres, são deixados de lado".
Numa analogia instigante, Valdina afirmou: "Subimos a escada da vida atentando para cada degrau, ou pulamos, em alguns momentos, de dois em dois?", perguntou ela, deixando a platéia refletir sobre si mesma. "E será que isso que pulamos não é o que está faltando?". Valdina Pinto discorreu sobre coisas da vida. Sem pretensões, afirmou: "Eu não tenho resposta para nada. Eu vim para colocar minhoca na cabeça de vocês". E conseguiu.
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