[24|06|04]
Manu Chao faz show inédito para o Fórum Cultural Mundial
Francês, filho de espanhóis, Manu Chao apresenta um esteriótipo muito longe do europeu característico. Tem marca registrada de ser um artista politizado, é simpatizante dos rebeldes mexicanos (Zapatistas) e do Movimento dos Sem-Terra, no Brasil. Em 1992, instalou-se no bairro de Santa Teresa (Rio de Janeiro), fez vários amigos e traz muitas lembranças deste tempo. “Sinto muita saudade do Brasil. É um país que me identifico muito”, conta o cantor que concedeu uma entrevista ao FCM, por telefone, no dia 24 de julho.
Chao está no Brasil e será a atração de maior destaque do Fórum Cultural Mundial . No show, que apresentará no próximo domingo (27), no Parque do Ibirapuera, traz nova formação de banda (inédita para o evento) e fará um espetáculo também inédito, mesclando canções de Clandestino (1998), e Proxima Estación: Esperanza (2001), além de sucessos da banda Manu Negra (nome emprestado de uma organização anarquista espanhola), uma das bandas mais ousadas da história do rock. Atualmente, Manu está trabalhando no projeto de um CD e Livro, que serão lançados juntos em Setembro. “O nome ainda não é definitivo, mas o provisório é Sibéria ”.
O artista apresenta em seu trabalho a sonoplastia primitiva, o jazz, o ska, o flamenco, a música popular brasileira, com vozes infantis e locuções radiofônicas. Neste gênero, o cantor lançou Clandestino (1998), sucesso absoluto de vendas, um milhão de cópias só na França e outro milhão de cópias ao redor do mundo. Em 2001, o cantor lançou Proxima Estación: Esperanza, que é sucesso até hoje.
FCM - Esse show que fará para
o FCM é especial, inédito?
Manu – Estamos aqui no Rio ensaiando para nos apresentar no evento. Fui convidado e não estava com nada pronto, faz tempo que não me apresento, então tive que montar um show inédito, especialmente para o Fórum.
FCM
– Os integrantes que se apresentarão
aqui não são os mesmos. Quem
você trouxe para a apresentação?
Manu – Na bateria trouxe David Bourguignon, no baixo, Gambeat, na percussão Garbance e guitarra Madjid Fahem. Uma galera das boas.
FCM - No show de abertura do Fórum você será acompanhado pelo ministro da cultura e um dos maiores compositores da música brasileira, Gilberto Gil. Você consegue enxergar semelhanças entre as composições de vocês?
Manu – Não vejo muita semelhança não. Tenho sim um grande respeito pelo Gil, ele é um maestro. Conheço a música dele desde pequeno, meus pais ouviam muito música brasileira. Eu praticamente cresci ouvindo Gil.
FCM - Você já esteve várias
vezes no Brasil, inclusive já morou
aqui. Do que mais gosta e qual a melhor
lembrança?
Manu - Adoro o Brasil,
o Rio, Ceará, enfim, o país
todo. Estive em São Paulo também
em 1992 e fiz um concerto incrível
no Vale do Anhangabaú, ainda estava
com o Manu Negra. Foi inesquecível.
FCM - Você tem uma
ligação muito forte com a
América latina. De onde nasceu o
interesse, já que é francês
e filho de espanhóis?
Manu – Acho que foi de viajar muito e em muitas turnês. No Brasil, cheguei durante a Eco-92 e fiz vários shows, um na Praça Mauá e também a viagem que fiz pela Colômbia.
FCM – Inclusive da viagem que fez pela Colômbia nasceu um livro escrito pelo seu pai, que é jornalista.
Manu
– Exatamente. Foi uma experiência
incrível. Nos apresentamos para 80
mil pessoas em Bogotá. Só
que a situação lá estava
terrível. Era uma guerra, muita violência,
um período muito complicado. Meu
pai estava junto e escreveu o livro [Expresso
de Hielo: livro relata toda a turnê
de Manu e Banda, que percorreu toda a Colômbia
de trem, indo em zonas de guerrilhas, fora
do controle do Estado, para tocar para os
camponeses].
FCM – O livro não chegou a ser editado aqui?
Manu - Lembro que foi editado na França, em Barcelona e na Itália. Adoraria que fosse editado aqui, mas não chegou não.
FCM - Quais são suas influências musicais e o que está escutando atualmente?
Manu – As minhas influências são as experiências da minha vida no dia-a-dia. São diversas, múltiplas. Não sei explicar muito bem. Desde adolescente ouvia muito rock, punk, música pop, música latina, flamenco, entre outros estilos.
FCM - Está trabalhando em algum novo CD?
Manu - Estou produzindo um livro e um CD que ainda não tem nome certo, por enquanto chama-se Sibéria e o lançamento está previsto para setembro. Só posso dizer isso.
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