[30|08|04]
O Futuro da Cultura no Mundo Não-Hegemônico

[23|08|04]
Saiba aonde retirar o Certificado de participação do FCM

[23|08|04]
Abdias do Nascimento foi homenageado no Fórum Cultural Mundial

[16|08|04]
Cultura e desenvolvimento no mundo globalizado

[09|08|04]
Fernando Solanas é ovacionado pela platéia em um debate do FCM

[02|08|04]
Saiba como foi a Presença Indígena no Fórum Cultural Mundial

[28|07|04]
Mídia e Cultura: Critérios, Escolhas e Agendas

[28|07|04]
Arte e Educação foi tema do FCM

[23|07|04]
A mudança dos mercados culturais

[21|07|04]
IV Encontro de Culturas Tradicionais da Chapada Dos Veadeiros

[21|07|04]
STV mostra destaques do Fórum Cultural Mundial


[19|07|04]

Feira de Idéias e Oportunidades foi um dos principais destaques do FCM


[13|07|04]

Direitos Autorais e Pirataria - A Crise da Indústria da Música


[08|07|04]

Veja as fotos da solenidade de abertura do Fórum Cultural Mundial realizado no Theatro Municipal em São Paulo

[02|07|04]
Motoboys Vida Loca está na Mostra Artística do FCM

[01|07|04]

Leia na íntegra a Carta de São Paulo

[30|06|04]
O Papel da Cultura e das Artes em Programas de Desenvolvimento

[29|06|04]

Autoridades abriram oficialmente Fórum Cultural Mundial no Theatro Municipal

[28|06|04]

Manu e Gil abrem o FCM com 60 mil pessoas

[24|06|04]

Manu Chao faz show inédito para o Fórum Cultural Mundial

[21|06|04]

A maior cidade da América Latina sedia o FCM

[21|06|04]
Domingo no Parque: Manu Chao e Gilberto Gil abrem a primeira noite de espetáculos FCM

[18|06|04]
Seminário discute a igualdade nas produções culturais

[17|06|04]

Lobão fala sobre as responsabilidades do artista e faz show acústico no Fórum de Políticas Culturais em Rio Claro

[16|06|04]

Resultado da aprovação de trabalhos e projetos enviados ao FCM

[07|06|04]
Resultado da aprovação de trabalhos e projetos enviados ao FCM sairá dia 15 de junho

[04|06|04]

“Cultura é a Mãe” é tema do o III Fórum Regional de Políticas Culturais em Rio Claro

[01|06|04]
Sexta edição do Mercado Cultural será em 2005

[26|05|04]
FCM presente no Seminário Cultural do Mundo da Língua Portuguesa

[24|05|04]
Fórum Brasileiro de Cultura reúne as propostas do país e aponta para novas perspectivas

[24|05|04]
Entrevista com Danilo Santos de Miranda, presidente do Conselho Diretor do Fórum Mundial Cultural

[17|05|04]
Fórum Brasileiro de Cultura do Rio de Janeiro

[17|05|04]
São Paulo debate sua complexa diversidade cultural

[07/05/04]
Cultura brasileira invade Barcelona durante 141 dias do Fórum

[04|05|04]
Pré-fórum de Barcelona recebe diretor do SESC e do FCM

[04|05|04]
Seminário Regional do Rio de Janeiro

[04|05|04]
Estados do Centro-Oeste querem ações conjuntas de cultura

[03|05|04]
Colóquio Paris São Paulo 450 anos começa hoje

[03|05|04]
Governo inicia discussão sobre o Fórum Cultural Mundial

[03|05|04]
Cultura no Brasil Central: debates e palestras começam hoje

[30|04|04]
Estados do Centro-Oeste discutem integração cultural

[28|04|04]
Fórum Bahia de Cultura começa hoje


[28|04|04]
II Fórum Temático Latinoamericano, na Colômbia. Acompanhe, em tempo real, as conferências


[27|04|04]
Seminário do Cone Sul, em Foz do Iguaçu, mostrou propostas que farão parte do preparatório para o Fórum Cultural Mundial


[27|04|04]
"Governança Local e Global e o Futuro da Democracia" é tema de seminário promovido pela parceria Intituto Pólis e Ágora


[07|04|04]
Seminário do Sudeste começa amanhã. Confira a programação


[22|03|04]
Região Norte formaliza seu Conselho para o FCM

   
 

[23|07|2004] A mudança dos mercados culturais

Dentro das mesas desenvolvidas em torno do tema “Novas Configurações do Mundo: O Impacto sobre a Gestão e a Administração da Cultura”, o debate sobre a mudança de mercados culturais trouxe visões de origens diferentes à mesa. Moderado pela norte-americana Olga Garay, que trabalha em Nova York com programas de ajuda em meio ambiente, saúde, organizações culturais, fundações que apóiam o intercâmbio entre artistas norte-americanos e estrangeiros, o debate aconteceu em torno de temas como auto-gestão e interatividade, além das realidades de cada lugar.

O espanhol Andrés Morte iniciou o debate apresentando seu ponto de vista sobre as novas tendências artísticas e os novos meios de promoção e distribuição. Abordou a desordem das artes dizendo que “o caos renega a ordem e a memória para recuperar a aventura e o nomadismo cultural”. Os segmentos das artes dividem os artistas em tribos que se reúnem por afinidades. Eles são donos de seu próprio território e são responsáveis por manter seu ecossistema cultural fora de perigo. Disse também que os meios de informação devem guardar uma cota para o processo criativo do país, fomentar alternativas de cultura e expressões de artes genuínas.

“É preciso gerenciar a identidade, como enfocar este produto no mercado diverso, trazer as realidades próximas em detrimento das realidades globalizadas. É preciso preservar a “ecologia cultural” dos países e incluir as novas tecnologias. As redes digitais, radiodifusoras, devem ser permeáveis. Qualquer espaço para criação e difusão da produção cultural é viável, a criação pequena só existirá se a TV der acesso a ela. A ocupação cultural precisa ser auto-gestionável”, afirmou.

Segundo Morte, a criação de mercado parte do princípio da cadeia alimentar da cultura na qual o espectador é também criador e difusor. “O artista tem que ser empreendedor de sua própria criação, senão não sai nada. Ele tem que aprender a fazer auto-gestão, é muito difícil um empresário investir em algo que não conhece. Deve-se romper os trabalhos hierárquicos e a vaidade para que não falte espaço para os pequenos”, disse.

Uma outra realidade

Em seguida, o promotor de festivais de filmes e música e DJ, Youssuf Mahmoud, nascido no Reino Unido, mas residindo na Tanzânia desde 1988 promovendo a difusão e a criação da música local através do Zanzibar Festival. O objetivo é promover a apreciação da música e da cultura africana. Segundo ele, é uma cidade cosmopolita, com imigrantes de outras partes da África, da Índia e da Europa. Essa diversidade dos povos reflete-se na língua, na linguagem, na arquitetura, culinária e acaba havendo uma patética contradição. Zanzibar é uma das mais pobres civilizações do mundo, dos 80% dos empregados, a maioria tem um salário de um dólar por dia.

Ele se pergunta sobre a personalidade africana. “Por que importamos tantas coisas mais do que usamos as locais?”. A música em rádio é predominantemente americana, das “boys bands”, por muitos fatores, um deles é exatamente a pequena contribuição da cultura local em grandes eventos, em rádios, da “glocalização” do rap e hip hop. Hoje, em 2004, ele afirma que 80% da programação das rádios é produção local.

Na Tanzânia, Youssuf procura promover a construção de uma rede de trabalho e festivais, shows entre artistas locais para que possam se apresentar ao lado de outros nomes da Europa em outros espaços de concerto. Este trabalho busca dar valor à música tradicional, fazer ligações e trocas com a África do Sul, não somente em termos culturais, mas em aptidões técnicas também.

Os festivais promovidos por seu trabalho acabam por gerar o que ele chama de turismo cultural, a movimentação turística de Zanzibar é o próprio processo de desenvolvimento da cidade e do país. Ele se pergunta: “Como arranjar fundos para a realização destes festivais de filmes e de música?”. Para ele, os festivais devem ser acessíveis aos nativos e moradores, que muitas vezes a entrada tem que ser de graça, ou ao preço acessível de cinqüenta centavos para nativos e US$ 3,00 para estrangeiros. “Mas é possível financiar um projeto destes com este valor de ingresso?”, questiona Youssuf. “É um desafio”, responde.

“A Ford Foundation é o maior encorajador da troca de saberes, da promoção das artes. Mas é preciso mais dinheiro de fundos internacionais, de embaixadas, de organizações internacionais. Eu mesmo não ganho nada com estes festivais, no entanto, conseguimos bastante apoio. Em trabalho conjunto com o turismo, os hotéis concedem desconto e agências de turismo organizam pacotes econômicos para atrair estrangeiros para os festivais”, afirma.

Sobre a auto-gestão da arte, comentada por Andrés Morte, Youssuf acredita que o artista já tem muito o que fazer, e que ele não pode pensar em trabalhar sozinho, ele tem que fazer parcerias com outros, e que tem que, sim, conhecer a internet, marketing, produção. “Nós temos que desenvolver aptidões de produção”.

Experiência européia

Dubi Lenz, israelense, integrante do conselho diretor do EFWMF (European Forum of Worlwide Music Festivals), trabalha para a rádio pública nacional e é apresentador de um talk-show sobre música e arte popular. Dubi iniciou sua apresentação dizendo que é um típico cara de sorte que faz o que gosta e viaja o mundo. Que o melhor de viajar a trabalho é escutar outras línguas, conversar com outras pessoas, toca-las, conhecer suas tradições, conhecer instrumentos, sons e tradições remotos. E “nós pensamos em cultura, falamos cultura, mas não fazemos cultura”.

Contou sobre o trabalho da rede independente de festivais europeus. (www.efwmf.org), sobre o Womex (Music Expo) e o Strictly Mundial, este último com foco na educação e diminuição do preconceito e da xenofobia. Dubi disse que produtores são “vendedores de sonhos” e que o seu sonho é colocar para tocarem juntos palestinos e israelenses, pois a música permite esta comunicação. “A língua em comum é a música... eu gostaria de tentar juntar artistas de 10 países diferentes... música é a única arte que pode penetrar muros”, afirmou.

Em relação uma pergunta sobre o termo world music, Dubi diz que só o nome já daria um outro tema de debate e que é somente um nome encontrado por dois vendedores de discos na Inglaterra que não sabiam o que fazer com os discos étnicos. Agora estamos amarrados neste termo. Ele chega à conclusão que world music é tudo que não a sua própria. “Para mim, world music é a mistura de ritmos de várias nacionalidades”, finalizou.

 

 

volta