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[28|07|2004] Arte e Educação foi tema do FCM

Com objetivo de relatar a experiência francesa na área da educação artística dentro do sistema clássico de ensino foi realizado o debate “Artistas e Educação”, com mediação de Jean Michel Djian e participação do Engenheiro Cultural, Claude Mollard. Participaram também o jornalista da rádio France Culture, Pascale Lismonde e de Marcelle Bonjour, que há mais de 20 anos trabalha com educação e dança para crianças e adolescentes - Danse au Coeur. Com discussões que giraram em torno de sensibilização, intervenção artística, desenvolvimento de senso crítico, prática artística na escola e formação artística de docentes, os palestrantes relataram suas experiências sobre o tema.

Sr. Mollard, ex-assessor do ministro Jack Lang, relatou brevemente o desenvolvimento do sistema de ensino da França constatando que houve um grande déficit na educação artística. Em 1880, no início do sistema de escola pública, havia a intenção de incluir a educação artística, mas os docentes acabaram por dar mais valor à história, ficando assim com a visão literária da arte em detrimento da prática. Durante o período das Belas Artes, o Ministério da Educação tirou as artes de sua gestão e foram criadas novas formas de educação voltadas à arte. O ensino de artes resumia-se em uma hora de artes plásticas e uma hora de música na escola primária, e no ensino médio, nada. Iniciativas específicas então deram início de forma regional.

Segundo Mollard, a grande inovação ocorreu em 1990/1992, quando Jack Lang (Ministro da Educação e da Cultura à época) aproximou as ações dos dois ministérios.

“Atualmente, encontramos a evolução do trabalho conjunto, da coletividade local, da colaboração, do reconhecimento do artista como educador. Foi a revolução tipo copérnica ”, relata. “Não havia como não incluir o artista, assim como os bibliotecários, curadores etc, na sala de aula, porém isso causou um grande medo de perder o emprego entre os professores”.

O engenheiro Cultural Claude relata que os números na França são de 12 milhões de escolarizados, sendo que metade recebe educação artística no ensino primário, e no ensino médio, seis milhões de alunos recebem uma hora de aula de música e outra hora de artes plásticas. Segundo ele, novos processos estão sendo instalados para promover a descoberta e a criatividade.

Percebe-se também uma evolução positiva no âmbito da formação de docentes. Existe um programa chamado PNR (Pólo Nacional de Recursos) com professores no qual artistas e docentes trabalham juntos, preparam metodologias, trocam técnicas pedagógicas de intervenção. “Nós precisamos desses elos”, explicou.

Em seguida Marcelle, professora de educação nacional e responsável pela instituição de dança na escola para crianças, adolescentes e adultos amadores, disse: dança é corpo e corpo é cultura . “Uma das primeiras expressões que aprendemos é relacionada ao corpo”. A professora acredita que, acima de tudo, deve-se incluir a linguagem artística antes da obrigação artística, abordando filosofia e ética. Assim, a sensibilidade é incluída naturalmente, bem como os valores estéticos, temporais, espaciais, o vocabulário e a composição. Comparou a capoeira no Brasil com a dança na França, uma vez que tal linguagem é quase naturalmente presente na formação do ser humano brasileiro. Na França, Marcelle trabalha em conjunto com 400 grupos de dança. “A experimentação deve estar acima do conhecimento literal”, afirmou.

Pascale, jornalista da rádio pública, está à frente de um programa sobre a educação artística chamado A Arte da Escola , criado em 2003 após pesquisar as artes na escola. Foi professora e costumava praticar o ensino coordenado associando desenho, história, música, pintura.

“Na época, vinte anos atrás, os professores resistiram bastante a este ensino coordenado. Porém, há quatro anos esse plano foi-se tornando possível. Após muitas pesquisas em iniciativas específicas, o governo lançou um programa de integração da arte nas escolas do país. Como resultado, observou-se que alunos difíceis do sistema clássico de ensino jogam-se de corpo e alma na arte”.

Exemplificou uma escola de um município rural, constituído basicamente de imigrantes, que mal falavam o francês, e, portanto marginalizados, tiveram a presença de músicos três horas por semana. Rapidamente as crianças aprenderam a língua francesa. “O contato com outros segmentos artísticos gerou um resultado surpreendente. Um grupo de alunos de sete a nove anos aprendeu a técnica de filmagem, corte, edição, fotografia, foco etc e acabaram por ganhar um prêmio e indo à Paris apresentar seu filme. Tais relações permitiram o desenvolvimento do senso crítico nestes alunos, inclusive em relação às produções de televisão. Essas práticas abrem o apetite para o saber”, finalizou.

 

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