[23|08|04]
Abdias do Nascimento foi homenageado no Fórum Cultural Mundial

Umas das personalidades mais importantes que estiveram presentes no Fórum Cultural Mundial foi o dramaturgo, artista plástico, poeta, escritor e ativista dos movimentos negros Abdias do Nascimento.
Um dos Fundadores da Frente Negra Brasileira (importante movimento iniciado em São Paulo), em 1931, criou o Teatro Experimental do Negro (TEN) em 1944, foi secretário de Defesa da Promoção das Populações Afro-Brasileiras do Rio de Janeiro, Deputado Federal pelo mesmo estado em 1983 e Senador da República em 1997. Abdias é também autor de vários livros como: "Sortilégio", "Dramas Para Negros e Prólogo Para Brancos", "O Negro Revoltado", entre outros.
O dramaturgo participou do Fórum Cultural Mundial 2004, em São Paulo, no dia 30 de junho com promoção da Seppir, Comissão Brasileira de Justiça e Paz e Ministério das Relações Exteriores, além de ter organizado e participado de eventos relacionados com a questão da promoção da igualdade racial. O primeiro debate foi o seminário “A Casa Brasil África”, onde foram discutidas as relações entre o Brasil e o Continente Africano e a ênfase nos países ao sul do Saara. No início do evento, o intelectual foi saudado com uma prece feita por mãe Beata de Yemanjá, Iyalorixá do Ilê Omi Oju (Casa das Àguas dos Olhos de Oxossi). Em 2004, Abdias completa 90 anos de idade e está recebendo uma série de homenagens em todo o Brasil. O debate proporcionou a reflexão sobre sua vida e obra.
Abdias é a personalidade afro-descendente mais importante na atualidade por sua trajetória ímpar na história cultural e social do Brasil. P articipou das revoluções de 30 e de 32, integrou, naqueles anos 30, os quadros da Frente Negra Brasileira, movimento que chegou a constituir-se num partido político. Como punição por participar de atos de protesto contra racismo em São Paulo foi preso e ocupou cela no presídio de Carandiru, na década de 40. Lá criou o Teatro do Sentenciado. Das músicas ao texto, tudo era uma crítica à opressão. Foi um trabalho muito elogiado na época. Combativo, fez parte, ainda, dos protestos contra a ditadura de Vargas, no Estado Novo, o que lhe valeu uma prisão pelo Tribunal de Segurança Nacional. Também na ditadura militar, suas posições o forçaram a sair do País para um exílio nos Estados Unidos.
Abdias é também indicado pelo Iara (Instituto de Advocacia Racial e Ambiental) para pleitear a candidatura para o prêmio Nobel da Paz 2004.
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