
A escolha pela Via da Magia
Eu cheguei à Via Magia em 2002, e lembro-me que na primeira conversa com Rô disse-lhe que estar naquele espaço era uma das minhas escolhas. Sempre passava pela Casa, pois morava no Engenho Velho, bem pertinho, e às vezes, olhava os muros da Via com aqueles passarinhos... E anos depois estava lá, do outro lado, junto à minha escolha, e ao meu desejo de fazer parte dos caminhos e do projeto Via Magia.
Iniciei como professora numa turma de segunda série, uma nova experiência, outros caminhos e um fazer completamente diferente. Diferente porque ao fazer, fui compreendendo que esse era um movimento de pensar junto, compartilhar, discordar, refazer e aprender a cada dia. E assim fui encontrando nesse lugar, de vários jeitos, o acolhimento para o meu jeito de ser.
A relação e o comprometimento que a Via Magia tem como o conhecimento, que é compartilhado com as crianças e os adultos da Casa, foi tornando a minha escolha cada vez mais acertada, pois uma escolha precisa ser vivida, experimentada, para só então se tornar concreta e cheia de confluências.
Em 2005, participei do Ponto de Cultura, no Projeto Ubuntu na Federação, desenvolvendo atividades na Oficina de Gestão Comunitária, com jovens do bairro, no intuito de estabelecer um diálogo entre a comunidade e o Projeto em parceria com o Programa Cultura Viva, do Ministério da Cultura. Essa foi uma experiência bastante interessante, pois vivenciei junto com os jovens a possibilidade de conhecer mais de perto, parte do patrimônio imaterial do Engenho Velho da Federação.
Hoje, ou melhor, desde a minha conversa com Rô, que iniciei o meu caminhar pelas trilhas da Via. Fazendo parte desse convívio, e passando pelas diversas linguagens que a Casa nos propõe a vivenciar, que reitero a minha escolha de estar aqui. A partir dos muros com passarinhos descobri árvores e além delas, muitas aprendizagens...
Carla Dantas
Professora da 3ª Série
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