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Invasão Latina
 

A sonoridade dos países vizinhos no VI Mercado Cultural

Por Luciano Mattos

A América Latina é um dos maiores celeiros mundiais de música, ritmos e riqueza sonora. Do México a Patagônia, algo como um continente único no mundo, onde se fala espanhol com sotaques misturados e uma diversidade musical impressionante. Os ritmos tradicionais, oriundos de povos indígenas e muito antigos, marcam a sonoridade local, mas não só. Eles se misturam a sons contemporâneos e recriações. O tradicional e o moderno convivendo harmonicamente. Essa riqueza musical latino-americana será um dos destaques do IV Mercado Cultural, com representantes de três dos países onde essa música tem características mais fortes e próprias, Cuba, Colômbia e Argentina.

A tradicional música cubana estará presente com uma de suas verdadeiras instituições, o compositor, cantor, arranjador e pianista Adalberto Alvarez . Aos 57 anos, ele é um dos mais importantes nomes da história da música cubana, mantendo vivo e atualizado um dos ritmos mais tradicionais da ilha de Fidel, o Son. Não é por menos que ele é conhecido como “El Caballero del Son”. O ritmo é tido como o primeiro nativo na ilha, e surgiu da mistura de ritmos e percussões afros com a melodia e instrumentos vindos da Espanha. Com uma vasta experiência internacional, Alvarez é um mestre em criar climas dançantes e promover uma festa de ritmos cubanos. Conhecido por um pessoal e inconfundível estilo harmônico e melódico, ele já possui mais de vinte discos gravados e uma experiência que o coloca entre aqueles nomes fundamentais da música latina.

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Los Hermanos

E que tal a música Argentina? Há grupos, como o 34 Puñaladas, que atualiza o tango, o mais famoso dos ritmos argentinos. Criado em 1998, eles não usam acordeons, violinos ou pianos , é o autêntico tango de salão executado de forma contemporânea por quatro guitarras e enriquecido pela bela voz de Alejandro Guyot. Um dos aspectos interessantes é que eles resgatam temas do submundo de Buenos Aires nas décadas de 20 e 30, abordando violência, drogas, prostitutas e amores perdidos. A irreverência dos comentários de Guyot tempera ainda mais as apresentações do grupo, que conta com os guitarristas

~ VI Mercado Cultural
Edgardo González, Juan Lorenzo, Augusto Macri e Nicolás Varchausky alternando músicas cantadas e instrumentais, por vezes até abrindo espaço para clássicos de Astor Piazzola.

Tem tango, mas não só tango. Um outro grupo portenho, o Puente Celeste se utiliza de instrumentos como guitarra, contrabaixo, percussão, acordeom, berimbau, clarinete, flautas doces, cajón, piano e flauta transversal para fazer uma música que passeia por influências de diversas partes do mundo, desde o folclore argentino até o jazz. Uma mescla de músicas cantadas e instrumentais, com melodias, solos, combinações de timbres e improvisações originais. O grupo, criado em 1997, é formado pelos músicos Edgardo Cardozo, Luciano Dyzenchauz, Marcelo Moguilevsky, Lucas Nikotián e Santiago Vazquez e apresenta composições próprias reunindo poesia, energia e sensibilidade.

Silvia Iriondo é uma cantora e compositora que faz um passeio pela música tradicional portenha, mesclando o tradicional e o contemporâneo, partindo da música indígena e seus cantos ancestrais e viajando por seus timbres e sonoridades. Acompanhada por vezes por um piano, em outras por uma guitarra, ou por instrumentos não convencionais, ou até cantando a capela, ela desenvolve uma técnica própria de execução. Trabalha com experimentação vocal, dando a cada canção uma forma singular. Em sua técnica cabem momentos em que utiliza a fala, ou o silêncio, ou um sussurro, ou o canto rústico e ancestral típico dos índios argentinos. Com apresentações em diversos países europeus e três discos gravados desde 1972, sendo o último com produção do brasileiro Egberto Gismonti, Iriondo canta em suas músicas a relação do homem com a terra, crenças, mitos, paisagens e a cidade.
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Mas se há um país latino que marca forte presença no VI Mercado Cultural é a Colômbia. São quatro grupos fazendo uma mostra da produção do país vizinho, apresentando aspectos diversos de sua rica musicalidade. Há grupos seguindo uma das formas mais modernas de se fazer música no mundo atualmente: mesclando ritmos tradicionais com urbanos e modernos. Criado em Bogotá, há cinco anos, o grupo Curupira une sob um mesmo teto música tradicional colombiana, como Gaita, Chalupa, Fandango, Puya, Champeta, Currulao e Joropo, com Jazz, Rap, Rock e Funk. Uma fusão moderna fruto de uma pesquisa da música colombiana, atualizando-a e dando um formato versátil e contemporâneo aos ritmos tradicionais. Formado por oito músicos, o Curupira tem forte presença de percussão e uma rica presença rítmica.

~ VI Mercado Cultural

Um trabalho instrumental, com sonoridade própria criando um formato não convencional dentro da música tradicional colombiana. Essa é a música do Guafa Trio , um experiente grupo que se utiliza de instrumentos como contrabaixo, flauta e cuatro (uma espécie de violão folclórico utilizada em diversos países da América Latina) para realizar um passeio por ritmos colombianos como Bambucos, Joropos e Pasillos, peças de música andina e até música brasileira sempre com arranjos jazzy. Com experiência de apresentações por várias partes do mundo, como Europa e Estados Unidos, o

grupo já tem três discos gravados e pela primeira vez traz sua música ao Brasil.

Puerto Candelaria é um quinteto formado com instrumentos como baixo, bateria, trombone, saxofone, piano e flauta. A sonoridade remete a uma música jovem, com elementos que criam de forma nova um jazz latino-americano. As influências vêm tanto do passado da música colombiana, desde ritmos andinos e mestiços, passando pela cultura afro-antilhana e a utilização de técnicas modernas de composição e do jazz. O resultado é uma música moderna que mescla ao mesmo tempo humor e crueza, revelando os contrastes da própria Colômbia.

A cantora Lucia Pulido é outra a explorar a riqueza da música tradicional da Colômbia, aproveitando seu canto versátil para incorporar a força e a sutileza dos gêneros e ritmos tradicionais. Residente em Nova Iorque desde 1994, ela faz uma busca por novas possibilidades dos ritmos originais de seu país, atualizando e dando um novo contexto a estes ritmos. Outro colombiano a se apresentar neste Mercado Cultural é Carlos Jaramillo, que fará seu show ao lado do pernambucano Kiko Klaus. Jaramillo tem uma carreira consolidada, com vários projetos gravados no México e Estados Unidos, alguns deles para o selo de David Byrne, Luaka Bop. O trabalho da dupla segue a tendência de atualizar ritmos tradicionais, como o samba, o baião e a bossa nova, modernizando-os com elementos eletrônicos.

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