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Matéria
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Zabê da Loca e Vó Maria |
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Duas
pérolas reconhecidas a tempo
Por Luciano Mattos
Duas senhoras desafiam a idade, os descaminhos
da vida, a indústria cultural, as falsas
modernidades e sobrevivem fazendo música
com personalidade e vitalidade. Duas representantes
de dois pilares da música brasileira. De
um lado Zabé da Loca, uma sobrevivente
da dureza do sertão que ilumina a música
nordestina e executa com seu pífano alguns
dos ritmos tradicionais da região mais
pobre e rica do país. De outro, um símbolo
do samba, ritmo considerado a marca do Brasil.
Vó Maria traz o ritmo na veia, com uma
voz marcante e a releitura de alguns dos maiores
compositores do gênero.
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A história de Zabé da Loca
parece mais uma daquelas histórias lendárias
do sertão brasileiro. Em meio às
dificuldades da região e com uma criança
sem pai no bucho, ela se arranjou numa gruta (a
tal loca de seu nome) próxima a serra do
Tungão, na Paraíba , por onde viveu
por 25 anos com filhos e netos. Vinda de Buíque,
em Pernambuco, foi na loca onde aprendeu e ensinou
os segredos dos pífanos, um dos instrumentos
típicos da região. |
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O primeiro
contato com a música aconteceu aos sete anos, com
o irmão “Aristido”. Nascida em 12 de janeiro de
1924, dona Izabel Marques da Silva já
tem mais de sete décadas de dedicação
a música, mas só em 2003 foi descoberta,
aos 79 anos. Desde então vem apresentando sua música
pelo Brasil e na Europa.
Atualmente com 81 anos e com um disco gravado, Zabé
da Loca se tornou uma instituição
viva, um patrimônio da cultura nordestina. Assim
como muitos no sertão, ela sobreviveu aos obstáculos
da fome, da sede, da seca e das necessidades. Repleta
de profundas rugas no rosto, com vivos olhos azuis, magrinha
e no alto de seu metro e meio de altura, ela mostra sua
música que reúne cantorias do acervo folclórico
regional, músicas de colegas músicas e de
gênios como Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira. Tocadora
de pífanos (uma espécie de flauta feita
de taquara), Zabé canta e toca
ao lado da bandinha cabaçal, da qual é maestrina.
A banda é formada por amigos do assentamento Santa
Catarina, dos Cariris Velhos da Paraíba: Beiçola,
nos pifes, Setenta, na caixa, mestre Livino, nos pratos,
e Pinto, no zabumba.
Produzidos pelo Quinteto Violado, em 2003 o grupo gravou
no próprio assentamento um disco. É o repertório
deste trabalho que apresenta no show, incluindo peças
como o ''Madrinha espera por eu'', ''Violeta'', ''Fulô
do mamoeiro'', ''Balão'', ''Andorinha'', ''Araçá
cadê mamãe'', “A Briga do Cachorro com a
Onça”, “Pifada na loca”, “Alvorada de Todos os
Santos”, “Meu Loro Dê Cá o Pé”, além
dos famosos clássicos ''Asa Branca'' e ''Juazeiro''
e “Bendito São José”, que ela canta sem
acompanhamento instrumental. |
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Viúva
do sambista Donga (conhecido pela primeira gravação
de um samba: “Pelo Telefone”), Vó
Maria durante 15 anos conviveu com o
mundo do samba, recebendo em sua casa verdadeiras
entidades do gênero em encontros memoráveis.
Pixinguinha, João da Baiana, Martinho da
Vila, Clara Nunes, João Nogueira, Xangô
da Mangueira, Aniceto, Jorginho Peçanha,
Walter Rosa, e muitos outros, fizeram parte das
rodas de samba na residência. Foi em uma
roda de samba, a Segunda dá Samba, organizada
por Zilmar Basílio, que aos 89 anos Vó
Maria resolveu encarar o destino e soltar
a voz. Cantou e encantou. A partir dali tornou-se
presença constante nas Rodas de Samba do
MIS.
Nascida em 5 de maio de 1911, dona Maria
das Dores Santos passou por dois casamentos
antes de se casar com Donga. O destino queria
mesmo que ela se voltasse para o samba. |
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Só no começo de 2003, aos 92 anos ela
gravou o primeiro CD, “Maxixe não é Samba”.
O disco reúne alguns clássicos do samba,
como a própria “Pelo Telefone”, “Com que Roupa?”
(de Noel Rosa), “Jura” (Sinhô), além de
músicas de Wilson Moreira e Nei Lopes, Heitor
dos Prazeres, Pixinguinha, entre outros. O disco contou
com participações especiais de gente do
quilate de Nelson Sargento, Beth Carvalho e Martinho
da Vila, além de todos os netos da sambista que
participaram fazendo o coro.
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