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Mercado Cultural em Itapuă
 

Por Jorge Velloso
Fotos por Claúdio David

~ Ruy Cezar / Dona Helena / Olívia Santana  ~Sempre orgulhosa por ter nascido e passado toda vida no bairro de Itapuã, Dona Helena Passos, acompanhou toda a programação do Mercado Cultural do bairro que ela considera seu mundo. Animada, a mestra popular da cultura de Itapuã, recebeu das mãos da secretária de educação de Salvador, Olívia Santana, uma placa de homenagem. “Esse é o reconhecimento, do conhecimento que Dona Helena tem”, discursou a secretária.

Sempre atuante nos blocos e festejos dos bairros, Dona Helena é uma amante declarada de Itapuã. “Não existe lugar de tanto encanto como esse. O mar, a Lagoa do Abaeté, as pessoas, tudo aqui é encantado”. Cada segundo de conversa com Dona Helena é um aprendizado. A mestra fala com toda autoridade sobre cada história desse bairro tão falado nas composições de Vinícius e Caymmi. “Conheço Itapuã como as palmas da minha mão. Suas ruas, suas histórias e até as estórias dos pescadores”, conta, relembrando o tempo que saia para puxar a rede de peixes junto com seu pai.

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~ Mercardo nos Bairros - Itapuă  ~Com 6 anos, Welderson Gomes já tem gingado de adulto. Juntamente com o grupo Naie Cô capoeira, ele encantava quem passava com seus movimentos plásticos. Seu grande sonho já está se realizando: “Meu sonho é ser capoeirista e mergulhador aqui em Itapuã”, conta o menino. Ele garante que as coisas mais valiosas que existem no seu bairro são a praia e a capoeira. “Não existe coisa melhor do mundo do que jogar capoeira na praia”. Além de Welderson, muitas outras crianças fazem parte do grupo. Segundo Moisés Fonseca, que veio do Ceará especialmente para o Mercado, esse é o motivo da cultura baiana permanecer tão viva. “É por isso que a cultura não se acaba nunca. Desde pequenos, os meninos já entendem e participam de manifestações como essa”, disse o turista.

~ Mercardo nos Bairros - Itapuă  ~Em um momento único do VI Mercado Cultural, o músico, compositor e inventor de instrumentos, Linsey Pollak, da Austrália, entrou na roda de capoeira e tocou uma espécie de gaita fólica - instrumento de sua própria invenção. Ao som do australiano, os atabaques, pandeiros e berimbaus dos capoeiristas acompanharam o ritmo envolvente da música de Linsey. O resultado foi um animado intercâmbio musical e cultural entre Brasil e Austrália em frente ao mar de Itapuã. “Já conhecia a capoeira porque alguns brasileiros a ensinam no meu país, mas aqui é mais bonito. O clima é diferente”, contou o músico. “Se eu fosse mais novo eu tentaria jogar um pouco”, brincou. Muito animado, Linsey ainda arriscou uns passos no samba de roda que o próprio grupo Naie co, levou para o bairro. “O samba de roda e o maculelê são manifestações culturais que também fazem parte da capoeira”, explicou o Mestre Costa.

O Mercado dos bairros surgiu a partir das enciclopédias digitais - projeto do Instituto Cultural Casa Via Magia - que também foram inseridas na programação. Durante todo o dia de hoje, será exibida na Praça Áurea um pouco da história e da magia de Itapuã. Além da enciclopédia digital, os workshops Estúdio e Palco e Berimbau, fizeram com que artistas locais, nacionais e internacionais, trocassem idéias sobre seus conhecimentos.


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~ Mercardo nos Bairros - Itapuă  ~Outro momento mágico durante o Mercado de Itapuã foi a apresentação do grupo “As Ganhadeiras”, de muita tradição do bairro, que animou o público cantando e dançando afoxés. O grupo tem esse nome porque as esposas dos pescadores costumavam “ganhar a vida” andando de Itapuã ao Mercado Modelo para vender peixe. No caminho, elas cantavam e dançavam para chamar a atenção da clientela. Além das Ganhadeiras, o grupo, Tia Ciata também agitou a platéia com muito samba de roda e samba chula.

Durante a tarde, houve apresentação de Amadeu Alves e Fabrício Rios, do grupo Solo Pedregoso, do grupo afro Malê Debalê, dos Jangadeiros e da banda Primitivus, além da exposição do artista plástico Rives Quaglia.


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