Alternativas
Não foram, porém, só lamentações que ganharam destaque. Pelo contrário, chamaram a atenção as visões de dois argentinos dando exemplo de como existem opções para os artistas independentes. Pregando idéias de juntar forças, o violonista Fernando Tarres afirmou que a grande dificuldade é com a expectativa de abrir portas. Para ele, não adianta ficar pedindo ou esperando de instituições, tem-se que construir algo que dure. “Temos que assumir nossa responsabilidade. Unir as pessoas que produzem para nutrir-se mutuamente. Além de criar, paralelamente, fazer pelo menos um pouquinho para consolidação de uma estrutura”.
“Como fazer para que a nossa música chegue às pessoas?”. Foi com esse questionamento que o músico argentino Ramon Santiago foi convidado para relatar sua experiência ao final da conferência. Segundo ele, 45 % das produções argentinas são independentes e isso mostra que não há um interesse de vender, mas um enorme interesse em produzir. “É cada vez mais difícil o público poder escolher o que quer ouvir. Faltam mecanismos de filtragem, faltam mecanismos que aglutinem certos tipos de público e certos tipos de artistas. É necessário gerar esses mecanismos”, afirmou.
Nesse contexto, apresentou o projeto Club del Disco, que tem contribuído de forma lenta, mas fundamental, para distribuição de artistas argentinos. Criado em junho deste ano, a iniciativa consiste em um clube de fato, onde o sócio paga um valor por um disco e revista mensal e os recebe em casa. O projeto, que em seis meses já tem 800 sócios, contribui tanto para a divulgação e distribuição, quanto no próprio aspecto econômico, já que é comprada parte da tiragem inicial do artista. Os artistas selecionados são argentinos ou de países vizinhos, sempre com foco na qualidade dos trabalhos. “Queremos mostrar que a produção independente é melhor do que a comercial, não só na qualidade musical, mas na produção, na parte gráfica etc”.
Uma mostra de que há opções de como melhorar a situação atual, mas é necessário tomar iniciativa. O discurso da mesa ecoava justamente na idéia de que é necessário agir, botar a mão na massa, com parcerias, co-produções. “Cultura se faz com o trabalho de muitos. Quanto mais pessoas com iniciativa, melhor. Façam, existam. Porque se a gente não fizer, é como a saúde do corpo, algo ruim pode aparecer”, disse Benjamin ao fechar a mesa.
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