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Economia Criativa é alternativa para o desenvolvimento
Por Raquel Salama
Fotos de Publius Vergilius

O primeiro dia do Ciclo de Conferências encerrou nesta sexta-feira, dia 01 de dezembro às 18h, com a mesa Criar e Sustentar, no Salão Nobre da Reitoria da Ufba. Com mediação de Paulo Miguez, os palestrantes convidados explicaram o conceito de Economia Criativa e deram exemplos bem sucedidos de iniciativas no Brasil e exterior. A assessora da Associação de Indústria Criativa de Shanghai, Anne Zhong, falou da experiência na China, onde há uma Escola de Estudos Criativos, fundada na capital chinesa em 2000.

A Mesa foi aberta pelo coordenador do Programa de Economia Criativa, Francisco Simplício, que falou do conceito de economia criativa dando o exemplo da Coca Cola, que ganha muito mais pelo valor atribuído à marca do que pela produção de refrigerante. Ele convidou o público a imaginar o potencial de toda a riqueza cultural material e imaterial da América Latina e África, que atualmente somam apenas cerca de 4% da produção cultural mundial. Para que uma ponte entre o intangível e o tangível seja feita, Simplício falou da necessidade de se promover um diálogo entre os paises em desenvolvimento para a Economia Criativa, que também envolve inclusão social por valorizar a criação dos indivíduos, o que não ocorre na indústria tradicional, cujo foco é o material, a estrutura.

Ao comentar os dados divulgados recentemente pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) sobre a economia da cultura, Paulo Miguez lembrou que a produção de riquezas mudou rapidamente do campo das chaminés para o campo do conhecimento, das artes, do intangível, daí a necessidade de se desenvolver novas formas de contabilizar a riqueza proveniente da cultura. De acordo com o IBGE, existem atualmente 259 mil empresas que trabalham com cultura no Brasil.

Numa mesa sobre Economia Criativa, o que não faltou foi criatividade e sensibilidade nas palestras. A pesquisadora do Instituto Pensarte, Ana Carla Fonseca, acaba de lançar o livro Economia da Cultura e Desenvolvimento Sustentável. Ela conta que a Economia Criativa implica em oferta de oportunidades de desenvolvimento, como educação e treinamento, bem como apoio à produção e distribuição. Isso porque o Mercado ainda está pautado nas condicionantes do capital, que não enxerga o valor imaterial. Para criar canais novos, Ana Carla citou o exemplo do Mercado Cultural, que já movimentou 6 milhões de reais, 1.500 produtores, 200 treinees, 100 mil pessoas e 120 mostras. Ana Carla encerrou a palestra falando da relação entre cultura e meio ambiente. “Ambos movem a economia, mas os números não reconhecem, e têm problemas comuns graves relativos à propriedade intelectual”.

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