Criatividade e inovação na Mostra de Projetos Culturais
Por Raquel Salama
Fotos por Publius Vergilius
A Mostra de Projetos Culturais do VII Mercado Cultural está cheia de novidades. Iniciativas em residência e intercâmbio para artistas, como o Instituto Sacatar, distribuição de Cds independentes, como a ABASIN (Associação Baiana de Selos Independentes), publicações de apoio à produção cultural, como o Guia Brasileiro de Produção Cultural 2007, e iniciativas bem sucedidas de produção em rede, como a Cooperativa Baiana de Teatro. A Mostra de Projetos Culturais integra a FALA, Feira do Mercado Cultural, que acontece também na Casa Via Magia com a Mostra de Projetos e a Mostra Educação, Arte e Ciência..
Escola engajada
Com um stand cheio de jovens dispostos a dar informações, o Projeto de Conscientização da Beleza Negra chama a atenção pela originalidade que traz e pela beleza de sua história. É um projeto desenvolvido na Escola Municipal do Banco da Vitória, localizada num distrito de Ilhéus, no sul da Bahia. A iniciativa surgiu dos próprios professores da escola como forma de resolver um conflito que aconteceu há dez anos entre duas alunas, uma branca e outra negra, sobre a questão da beleza. “A partir desse conflito, nós organizamos um concurso de beleza negra para problematizar a situação”, conta a diretora da Escola, Siomara Melo Bastos.
O projeto está incluído no currículo da escola como atividade interdisciplinar e já atinge a comunidade local, onde 92% da população é negra. Com o apoio da professora de português e o professor de história, os alunos fizeram o Hino do concurso e reuniram as 16 melhores músicas para produzir um CD. “O projeto é importante porque estimula a participação de todos os alunos e cria uma exposição que é positiva”, relata a professora de português, Lílian Santana Maia.
Os alunos desenvolvem grupos de dança, capoeira, tudo o que contribui para resgatar a herança da cultura africana. Em 2006, a Escola conseguiu uma parceria com a TV Cabrália, sucursal da Record em Ilhéus, e comerciantes locais para produzir um vídeo. “Com este projeto a gente percebeu muitas mudanças na comunidade, que passou a valorizar o negro”, conta a estudante Laís Pereira.
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