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Artes na Beira do Trem e da Baía de Todos os Santos
Por Pedro Caribé
Fotos por Publius Vergilius

Poesia, teatro, música e artes plásticas contagiaram o subúrbio ferroviário de Salvador na sexta-feira, 01 dezembro, no VII Mercado Cultural. No centro de estudos Sofia, em Escada, o público local misturado a europeus, africanos e brasileiros de todos os cantos. Todos contemplavam as esculturas de Abraão e Eduardo Rebelo e os muros pintados por Perinho Santana. Na arena aberta apresentaram-se os grupos baianos Pim e E ao Quadrado. Representando o Estado do Mato Grosso do Sul, o poeta Emanuel Marinho.
 
Situado à beira da Baía de Todos os Santos e dos trilhos dos trens soteropolitanos, o Centro Sofia já tem um impacto natural que foi potencializado nos muros trabalhados por Perinho, com imagens e a poesia cotidiana: “o trem sempre passando/ o pessoal indo e voltando”. Debaixo das árvores era possível contemplar girafa, rinoceronte e onça construídos com madeira, papel, barbante, bambu e arame, por Eduardo Rabelo, um agitador cultural que fundou o PROVACS - Projeto Voz Artística do Coração do Subúrbio.

Já Abraão expôs esculturas de madeiras reaproveitadas, um trabalho singular que para ele busca renovar as artes plásticas de Salvador, baseadas em estereótipos.

Arena de todas as idades

A arena era pequena e os artistas não passavam de um metro e meio. Mas a qualidade do trabalho apresentado pelo Grupo PIM era inquestionável. Formado pelo arte-educador Joni Gonzaga, com alunos da escola de Fazenda Coutos 3 – bairro do subúrbio de Salvador - o grupo apresentou os sons e algumas coreografias do musical “E lá vai o Trem”. O fio condutor da trama é a história do País através das ferrovias, de Villa Lobos, no ciclo do café, aos subúrbios atuais.

O grupo E ao Quadrado, do Alto do Cabrito, trouxe pela segunda vez ao Mercado Cultural a peça “Era uma vez o Brasil”. Everson Barbosa, com apenas 13 anos, dizia estar “tranqüilo, mesmo com um público tão diverso que comparece ao evento”. 

Emanuel Marinho recitou poemas que têm referência na fauna e flora brasileira, como também o amor e questões do mundo moderno como diversidade étnica e religiosa. Nos versos do poeta “poesia não compra sapatos, mas como andar sem poesia?”. No fim, Marinho convidou o público para subir ao palco e recitar poemas.

Pôr do sol com batuque na Ribeira

O Mercado Cultural encerrou sua programação diurna desta sexta-feira, dia 01, no Solar Amado Bahia, com a exibição do média-metragem Ilha do Rato, de Bernard Attal e Joselito Crispim. O filme é uma metáfora sobre a construção de uma ponte ligando o bairro de Alagados à pequena Ilha do Rato, na península de Itapagipe em Salvador, no ano 2004.  A produção surgiu a partir do trabalho de arte e educação desenvolvido com as crianças do grupo Bagunçaço, em Alagados. Após a exibição, os tambores de lata do Bagunçaço juntaram-se aos jovens músicos para alegrar o público local e internacional do Mercado Cultural.      

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[: Abertura do Ciclo de Conferências :] [: Abertura do Ciclo de Conferências :] [: Abertura do Ciclo de Conferências :] [: Abertura do Ciclo de Conferências :]
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