Globalização que concilia contradições
Por Márcio do Vale
Fotos por Gina Leite
As expressões musicais e de dança do movimento hip hop foram a atração principal do primeiro dia de Mercado Cultural no bairro da Federação. O espetáculo tunisiano Rojla e o espetáculo francês Black Blanc Beur apresentaram-se no Teatro de Pano da Casa Via Magia com performances que aliam encenação, música e dança.
O espetáculo Rojla mostrou uma performance onde o conflito é superado pela dança. A coreografia explora movimentos brutos, típicos da urbanidade, e os supera através da destreza e fluidez do break. A dança nesse universo serve como pacificadora dos conflitos, superando-os através da transformação de movimentos bruscos (às vezes até marciais) em movimentos harmônicos no break.
O Black Blanc Beur, por sua vez, apresentou um espetáculo mais experimental. Desde a trilha, com um hip hop que se aproxima do jazz, até seu enredo, o Black Blanc Beur transita entre limites. No início são corpos que despertam em um espaço visivelmente hostil. Em seguida há descobertas insólitas que geram competições, brigas e um caminho que, afinal, tem volta.
Tanto Rojla quanto Black Blanc Beur oferecem uma excelente oportunidade para assistirmos representações comuns à África, à América e à Europa. O ambiente urbano é muitas vezes o mesmo, seja na Tunísia ou na França. O hip hop, um movimento surgido nos EUA, reconcilia mundo afora movimentos ostensivos com a flexibilidade do break, buscando sentido no caos urbano de qualquer periferia.
A experiência das ruas foi assim traduzida em arte. Não foi preciso entender o idioma francês para compreender o sentido nos movimentos dos corpos. Rojla e Black Blanc Beur podem estar em quaisquer periferias. Certamente estão na maioria delas. Neste dia 1 de dezembro esteve no palco da Casa Via Magia. Amanhã, dia 02, estarão no Espaço Hip Hop Liberdade. E estarão em todos os lugares.
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