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Terreiro da Casa Branca apresenta tradições afrodescendentes
Por Pedro Caribé
Fotos de Publius Vergilius e Gina Leite

Preservar as tradições culturais afrodescendentes foi o eixo do encontro no Terreiro da Casa Branca na manhã de domingo, 03 de dezembro, do VII Mercado Cultural. Dentro do santuário negro o historiador Jaime Sodré, o antropólogo Ordep Serra e a iaô Micinha reforçaram a necessidade da luta cotidiana para conservar a memória e as práticas do candomblé. A música e a dança também permearam a atividade com o toque dos alabês do Ilê Fun Fun e o samba chula de Nelito e Os Vendavais, de Santo Amaro da Purificação. Ao fim, foi servido um caruru aos visitantes.

Os primeiros a chegar à Casa Branca, na Federação, puderam conhecer um pouco da história do mais antigo templo afrodescendente das Américas. Em seguida, o público, já envolvido pela receptividade do povo de santo, ouviu de Jaime Sodré o chamado à luta contra a intolerância religiosa e a distorção dos rituais hoje em dia.

Ordep Serra chamou atenção para a destruição ambiental que Salvador enfrenta e para a possibilidade de reversão dessa situação a partir da valorização da etnofarmacobôtanica oriunda das nações africanas. A ciência milenar utiliza as ervas para a cura e práticas religiosas. O cultivo dessas ervas, segundo o antropólogo, pode ser responsável pela manutenção de grande parte de área verde remanescente na cidade. Mãe Micinha encerrou a palestra reverenciando os orixás com um canto emocionante.

Afoxé, samba e caruru

Música, dança e comida são características que distinguem a cultura afrodescendente. Na celebração da manhã de domingo do VII Mercado Cultural, essas manifestações foram bem representadas. Antes e depois da palestra, os alabês do Ilê Fun Fun da Casa Branca foram liderados pelo mestre Edvaldo, com seus instrumentos de sopro, atabaques e danças nagôs.

Depois foi a vez de Nelito e Os Vendavais, de Santo Amaro da Purificação, um berço da diáspora negra no Brasil. Nelito disse que a “universidade” do grupo foi o samba chula. O ritmo do recôncavo baiano tem origens no culto aos orixás e cablocos, misturados com a viola portuguesa. No samba chula, enquanto os homens tocam e cantam, as mulheres dançam, mas apenas uma pode ocupar o centro da roda. Assim, elas se alternam a cada intervalo da trova.

Durante a apresentação de Os Vendavais, os filhos de Oxum – entidade da Casa Branca – serviram o caruru, acompanhado  de arroz branco, feijão fradinho e preto, banana frita, vatapá, acarajé, aipim, pipoca e também do arauá – suco feito a base de rapadura e gengibre. Quem chegou no fim do evento mas ainda a tempo de reverenciar a atividade foi o artista plástico e diretor do Museu Afro Brasil, em São Paulo, Emanuel Araújo, outro filho de Santo Amaro.

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