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Lideranças de comunidades tradicionais encerram o Ciclo de Conferências
Por Raquel Salama

Estar e Transformar foi o tema da última Mesa do Ciclo de Conferências neste domingo, dia 03 de dezembro às 16h no Salão Nobre da Reitoria da Universidade Federal da Bahia (Ufba). Ocupada por lideranças indígenas e quilombolas, a Mesa girou em torno da relação entre tradição e contemporaneidade na questão indígena: como se configura o imaginário coletivo acerca das comunidades e das tradições indígenas no contexto contemporâneo.

O debate foi além da questão colocada, que é saber como estabelecer um diálogo entre os dados e interpretações acumulados pelas pesquisas atuais e a diversidade das culturas indígenas da região nordeste. O Pataxó da Aldeia Coroa Vermelha e Secretário de Ações Indígenas de Santa Cruz Cabrália, Jerry Matalawê, ressaltou que o que é imprescindível para discutir a questão da diversidade é conhecer todas as identidades. Desafiou o público a falar o nome das 12 nações indígenas da Bahia e então questionou se estamos realmente preparados para esta questão da diversidade. Sobre as pesquisas acerca da questão indígena, Matalawê falou da importância em não se falar no lugar do outro e homenageou os indígenas presentes que estão estudando na Universidade, cobrando deles compromisso com a luta de seus irmãos.

Além de Jerry Matalawê, estavam presentes à Mesa a doutora em estudos lingüísticos pela Universidade Federal de Alagoas, Maria Pankararu, que recentemente defendeu a tese intitulada “Afoyé, a língua do povo do mel”. Lembrada como a primeira indígena a se formar doutora em estudos lingüísticos no Brasil, Maria traçou um histórico da questão indígena e falou um pouco sobre seu povo, sua aldeia e de como ela veio a se tornar invisível na sua história e identidade, fato que a levou a desenvolver sua pesquisa.

A própria voz da tradição narrou a luta indígena pelo direito à terra, que está ligada à questão da identidade. Era José Trajano, cacique da Aldeia Pataxó. “A alegria do índio é ter a sua terra, mas hoje a gente não tem um par de terra para plantar por causa da Chesf, que tirou a gente de lá e até hoje estamos deslocados”, denunciou o cacique.

O líder quilombola das comunidades remanescentes da Chapada Diamantina, Carmo Jesus, aproveitou a denúncia de Trajano para falar que o quilombola tem uma luta parecida, que é a luta pela terra. Carmo Jesus informou que nos anos 70 sua comunidade também foi invadida por uma empresa e que por isso até hoje 27 famílias vivem deslocadas na periferia da cidade de Rio de Contas. Ele conta que a comunidade está lutando por seus direitos e que para isso foi criada em agosto de 1987 a Associação Quilombola.

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