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Mudando os fluxos
Por Raquel Salama

O labirinto de açúcar instalado pelo artista plástico Caetano Dias na Estação de Trem da Calçada, em Salvador, já começa a derreter e ganhar novas formas. A instalação marcou a noite de lançamento da mostra visual da VII edição do Mercado Cultural (16 de novembro), quando aconteceu também o lançamento das Enciclopédias da Cidade, um projeto da Casa Via Magia em parceria com a Secretaria Municipal de Educação e Cultura. O muro adocicado vem sendo tocado e degustado pelos mais curiosos dos 4 mil passageiros que transitam diariamente na Estação Ferroviária da Calçada. Trata-se da instalação intitulada Canto Doce, produzida ao vivo no dia 15 de novembro com formas de madeira compensada, quatro fogões industriais e panelas com capacidade para 50 litros.

[: Canto Doce :]Diferente dos muros que normalmente segregam e separam realidades, o Canto Doce de Caetano Dias se coloca como provocação para uma mudança de fluxo habitual. A interdição dialoga com a proposta do Mercado Cultural, que é incentivar novos fluxos para a produção, fruição e distribuição de bens culturais, inclusive aqueles que ficam na invisibilidade das periferias da cidade e que estão contemplados nas Enciclopédias que foram lançadas na noite da abertura da instalação.

Como um produto de arte nada convencional, o Canto Doce não poderia ter uma exposição limitada ao espaço de uma galeria. “Com este trabalho, estamos mais uma vez levantando a reflexão sobre o papel e o lugar das obras de arte”, acrescenta Caetano Dias. A escolha da Estação Ferroviária da Calçada para a intervenção urbana tem duas razões: Além de ser uma das principais vias de acesso ao subúrbio ferroviário, um dos territórios alvo das ações do VII Mercado Cultural, o local fazia parte da via de escoamento do açúcar produzido na Bahia. Como os trilhos que levavam o açúcar até o porto, o artista pretende, através da instalação, produzir uma interação com o presente ao redesenhar um fluxo obrigatório de trânsito numa área de grande movimentação de pedestres. “O nosso labirinto de açúcar será um elemento vivo para a reflexão das pessoas”.

[: Canto Doce :]A matéria é a mensagem
Nascido em Feira de Santana, no distrito de Bonfim de Feira, Caetano Dias, 47 anos, já percorreu o mundo com sua arte inovadora. Artista versátil, define o material de trabalho de acordo com a proposta de trabalho, deixando na sua trajetória peças que vão da pintura à arte digital, da gravura à rapadura. Foi assim que, em 2004, surpreendeu o público e a crítica com a exposição Estratégias Barrocas, no Centro Metropolitano de Quito, capital do Equador, ao apresentar a instalação Cristo de Rapadura. No mesmo ano, o trabalho teve destaque no evento paralelo da Bienal de São Paulo. Com A Fábula, uma série de cabeças de negros feitas com açúcar fundido, o artista baiano participou da Bienal do Barra, na cidade de Maracaibo, na Venezuela. Caetano se prepara para participar, em dezembro, da I Bienal de Artes Visuais de Ile de la Reunion, departamento francês na África.

Serviço:
O quê: Canto Doce, instalação do artista plástico Caetano Dias.
Curadoria: Rose Lima
Quando: A partir do dia 16 de novembro
Onde: Saguão da Estação Ferroviária da Calçada.

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