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Artesãos do sagrado
Por Raquel Salama

[: Casa dos Objetos Mágicos :]Na próxima quinta-feira, dia 29 às 19h, a Casa Via Magia recebe a exposição Casa dos Objetos Mágicos. São coroas, braceletes, couraças, espadas e outros objetos de cobre e latão polido, utilizados em rituais do Candomblé. A exposição é resultado de um projeto de arte-educação da Maianga Produções Culturais, uma produtora voltada para a valorização da herança africana na Bahia. Os jovens artesãos já estrearam na Casa do Benin e participam agora do I Feira de Economia do Sagrado, que acontece na Praça da Sé até o dia 25. “A novidade desta mostra na Via Magia é que alguns objetos serão confeccionados na hora para que as pessoas acompanhem todo o processo de produção”, avisa a gravadora Eneida Sanches, educadora do projeto junto ao ogã Gilmar Tavares. A Casa dos Objetos Mágicos integra a programação de artes visuais do VII Mercado Cultural, que segue até dia 04 com muita música, dança, poesia, workshops e conferências sobre temas relacionados à cultura.

Objetos que abrem fronteiras

[: Casa dos Objetos Mágicos :]Os 25 autores dos trabalhos têm entre 18 a 21 anos e muitos deles foram indicados por terreiros de candomblé para integrar a primeira turma do projeto. Jadson Santos é um deles. Foi indicado pelo terreiro Sassa Danzuá Gongará Kaianga, na Estrada das Barreiras, onde será iniciado. Jadson explica com desenvoltura a função de cada instrumento, e o significado de cada símbolo impresso: “O adjá é um instrumento utilizado na invocação dos orixás, por isso usamos um símbolo neutro, a flor”.

Iracema Neves também já conhecia os objetos sagrados do candomblé, mas ficou deslumbrada com a idéia de poder produzi-los. “A gente se aprofundou ainda mais na mitologia dos orixás e os elementos que acompanham cada um deles, com toda a riqueza de detalhes”. Iracema ficou tão apaixonada pelo trabalho que já o encara como uma profissão. “Quero me especializar cada vez mais, ficar treinando em casa até poder abrir uma loja”, conta a artesã.

A cada martelada, uma porção de conhecimentos.

Para criar os objetos, os aprendizes contaram com oito meses de aulas práticas aliadas ao intenso conteúdo teórico de vários seminários. Daniel Dawson, professor de African and African-Diasporic Cultures nas universidades
americanas, falou à turma sobre A presença Yorubá na diáspora africana; Ordep Serra discorreu sobre Ritos e arte no Candomblé; o escritor angolano José Eduardo Agualusa traçou um panorama histórico dos laços de irmandade entre Brasil e Angola; Jaime Sodré falou sobre a criatividade africana e Raul Lody sobre o Barroco na Bahia.

Serviço
O que? Exposição Casa dos Objetos Mágicos
Onde? Casa do Benin (até dia 21, das 12 às 18h), Praça da Sé (até dia 25, das 09 às 21h) e Casa Via Magia (de 29.11 a 04.12, das 14 às 21h)
Entrada franca

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