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Um Ponto Ubuntu
16 - Nelito e os Vendavais
Formado por homens e por mulheres que migraram
de Santo Amaro para Salvador e, até hoje, residem no bairro
da Federação, o grupo mantém a tradição
do samba chula há 25 anos. Seu líder, Mestre Nelito,
faz questão de manter a ordem original do gênero, isto
é, uma mulher só entra na roda para sambar depois
da chula ser cantada. Os Vendavais possuem oito músicos e
seis baianas (sambadeiras), que apresentam em trajes típicos
e padronizados.
Samba de Roda do Recôncavo
“Ao lado do Candomblé e da Capoeira, o Samba de Roda
simboliza uma presença e continuidade sociocultural de matriz
africana na Bahia, a qual, embora seja evocada e consagrada como propriedade
e identidade cultural dos baianos, continua sendo muito pouco conhecida.
Os três grandes pilares da cultura afro-brasileira representam
universos culturais complexos que escondem uma infinidade de estilos,
variações, gestos, significados e realidades diferenciados
de terreiro em terreiro, comunidade em comunidade, bairro em bairro,
povoado em povoado e de mestre para mestre.
Samba de Roda significa muito mais do que um simples divertimento,
embora não se negue a assumir também esta qualidade.
Ele assume um comportamento, que revela a corporalidade, a musicalidade,
a sensualidade, a poesia, o lúdico e o sagrado da presença
africana no Brasil e necessita do espírito coletivo e da integração
das pessoas e dos ambientes para acontecer de forma plena e harmoniosa.
O Samba de Roda tem uma ligação profunda com a religiosidade
do candomblé, do catolicismo e do sincretismo, uma convivência
e síntese prazerosa que não divide entre o que seria
profano e espiritual, e simplesmente percebe e vive o corpo sagrado.
No ano 2004, o IPHAN encomendou o inventário
do Samba de Roda no Recôncavo Baiano, coordenado por Carlos
Sandroni, realizado pelos pesquisadores Ari Lima, Francisca Marques,
Josias Pires, Suzana Martins e Katharina Döring e registrado
em áudio / vídeo por equipes pernambucanas e em imagens
pelo fotógrafo Luiz Santos. Os resultados em forma de um
dossiê completo, dois vídeos, um cd coletânea,
uma publicação com fotografias e um caderno de transcrições
poético–musicais entre outros, foram encaminhados para
a UNESCO como candidatura do Brasil para a declaração
do Patrimônio Imaterial e Oral da Humanidade.
Os resultados em longo prazo ainda não podem ser medidos,
no entanto continuamos trabalhando, dialogando, confraternizando
com os sambadores de toda região do Recôncavo que por
sua vez se organizaram na Associação dos Sambadores
e Sambadeiras do Estado da Bahia. Diversos projetos de revitalização
estão em vista, como oficinas de construção
e aprendizagem da viola machete, oficinas de música e dança
em geral, pesquisa e registro em vídeo e áudio.”
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