| Mórbido
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Mórbido tem interesse em levantar a discussão sobre essa apatia ou inércia moral que aprendemos a repetir desde a infância: o ato de assistir televisão. Muitas vezes ação que torna-se uma irreal solução dos problemas emocionais. Aprendemos a ser telespectadores das vidas e acontecimentos alheios. Aprendemos a aceitar o que nos é dito, a acreditar no que dizem que é certo ou bacana, perdemos nosso senso crítico, nossa vitalidade, nossa energia e nosso afeto.
Em cena vêem-se dois bailarinos agindo como quadrúpedes, dentro de um espaço limitado por um quadrado de luz, "jaula" da qual podem sair a qualquer momento, mas por um processo de hipnose e inconsciência aquele quadrado de luz é visto como um muro sólido intransponível. "Não estamos de fato presos em grades, temos a opção de nos movermos rumo a nossa imensa possibilidade de produção e criatividade. Porém, não o fazemos. O que nos impede?"
A trilha sonora, coletada diretamente da programação de um domingo, realça deliberadamente o impacto ruidoso e angustiante da televisão. O público assiste a uma cena ou a si mesmo? Esperamos que a apatia gerada pela composição cênica possa contribuir para repensar nossa passividade diante da vida.
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