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Deslimites:

Deslimites brinca com a tendência de estar eternamente à procura de sentido, através de um caminho labiríntico, invaginado, amebóide, que quer chegar a nenhum lugar.

É o corpo em movimento quem indica os conceitos e realiza os pensamentos desse trabalho. É esse corpo que propõe novos parâmetros para ver o mundo, na tentativa de abrir um espaço para si, de escrever uma história que lhe contemple e de criar poéticas de cenas que dêem conta de estados aparentemente incompatíveis - ansiedade e contemplação -, convivendo simultaneamente. É nessa busca que aparecem os pares e também o percurso de reconhecimento na dança e no lugar que que essa dança ocupa no mundo. Quando todo o espaço possível já foi ocupado, o corpo ainda tem por onde ir. A complexidade desse deslocamento cria constantemente regras difíceis de acompanhar pelo gigantesco novelo formado. O movimento não sabe se interessa ou aborrece, hipnotiza ou gera ansiedade. O movimento - como cada célula viva - pretende sobreviver.

Tudo isso constrói essa cena de um corpo desdobrando-se, concentrado em uma ação rasteira, repetitiva, constante e lenta que parece seguir a uma lógica inusitada de articulações hipermóveis, escolhendo o maior caminho, nunca a reta, num deslocamento ansioso e contemplativo ao mesmo tempo.

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