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Ser e Estar em Companhia:

O que é mesmo que define uma companhia de dança? O que é necessário ter/ser para se chamar assim?

Quando apenas uma única pessoa é responsável por garantir a continuidade, a estética, o repertório, essa pessoa está acompanhada de quem? Há um risco em optar por não localizar a responsabilidade em uma pessoa, optar por se fazer através do outro, que é o risco de estar sempre em trânsito, deslocando identidades.

Continuamos em companhia das pessoas que já eram companheiras antes. Nós nos acompanhamos. Existe um fator aglutinador que, no caso da sua cia de dança, não está localizado em um único alguém, porque o fator é o desejo, é a vontade. É o desejo de algo em comum que traz pessoas para perto. É para perto do seu desejo que as pessoas vão. É ao redor de um desejo em comum que as pessoas se reúnem e se acompanham.

Um desejo começou a união, fez um grupo se reunir. Esse desejo-idéia enriqueceu-se ao ser compartilhado, não pertencendo a alguém, mas a um grupo de criadores de desejos. Esse desejo fez Clara, Eduardo, Domingas e Thaís se acompanharem. Outros desejos se somam e viram desejos de todos. Pessoas que se aproximam nos acompanham e nos companheirizam, nos tornam sua companhia.

Uma companhia que pertence a quem ouve seu nome e se doa quando alguém a pronuncia.

Foto: Andréa Vianna
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